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Informativo mensal - Edição 81 - Abril de 2026

Futuro de cyber no setor elétrico 
depende de mudanças na regulação e 
de formação de mão de obra qualificada

No UTCAL Summit 2026, o painel “O futuro de Cyber no setor elétrico brasileiro” trouxe à tona um tema de extrema relevância para a operação das utilities de energia. Órgãos governamentais, como a Aneel e o ONS, além de empresários e consultores, compartilharam visões e desafios para o desenvolvimento desta área crítica, apontando soluções para a redução de riscos na operação a curto e médio prazos.

Segundo Geraldo Fonseca, especialista sênior de Segurança da Informação do ONS, o papel do operador é estabelecer padrões de cibersegurança, deixando para as empresas a escolha das soluções tecnológicas a serem adotadas. Ele informou que o órgão está iniciando uma nova onda de discussões para atualizar a Rotina Operacional de Segurança Cibernética (RO-CB.BR.01), em vigor desde 2021, e ressaltou a importância da participação dos players nessas conversas. “Hoje, a diversidade entre empresas do setor elétrico brasileiro é enorme. Quanto mais profissionais colaborarem, melhor será nossa visão do setor como um todo”, reforçou.

Sérgio Ribeiro Leite, assessor técnico da Diretoria da Aneel, aponta a preocupação da agência com o ônus regulatório proveniente da sobreposição de investimentos em cibersegurança e reforça que as empresas devem acompanhar e contribuir com as consultas públicas. Em contrapartida, empresários argumentam que um dos entraves para o avanço da área está justamente na regulação que, por ser antiga, não contempla os investimentos em revisões tarifárias. “A base regulatória faz com que as empresas considerem aportes em cibersegurança como despesas, e não investimentos, travando o desenvolvimento da área”, afirmou Raphael Pereira, CTO da Shield.

Luiz Pamplona, cofundador da Energy Future, destacou que existem hoje pouquíssimos projetos de P&D que tratam especificamente de cibersegurança. “Na base da Aneel, em 26 anos, existem apenas quatro projetos sobre a área. Muitas empresas preferem soluções prontas, considerando os altos custos de investimento, a falta de capital intelectual e o timing para o desenvolvimento”, explicou.

A escassez de mão de obra qualificada e de fornecedores não é um problema apenas brasileiro, mas internacional. “Hoje, não temos mão de obra nem players para esse desenvolvimento e, quando temos, os preços não são acessíveis”, atestou Bruno Macedo, gerente de Segurança Cibernética da Energisa, assinalando que uma saída seria a realização de projetos cooperados para a formação de profissionais e o desenvolvimento de soluções.

Investir em tecnologia na infraestrutura elétrica agrega valor a ativos e traz
eficiência na extração de dados

Um grande desafio para as utilities do setor elétrico é a extração qualificada de dados de sua operação. Para Severiano Macedo, consultor de Transformação Digital da Cisco, as empresas deveriam investir mais em equipamentos como, por exemplo, switches (dispositivos de hardware que conectam múltiplos equipamentos) para obter maior segurança na coleta de informações, considerando a fragilidade de muitas redes. A afirmação foi feita durante a palestra “Cisco Digital Substation: Infraestrutura resiliente + Visibilidade em redes de missão crítica com Cybervision + SPLUNK”, realizada no segundo dia do UTCAL Summit 2026.

Macedo acrescenta que o investimento em tecnologia permite que a filtragem dos dados ocorra logo na origem, proporcionando a redução de custos com armazenamento e maior facilidade na leitura das informações. Esses mesmos equipamentos devem ser capazes de auxiliar os tomadores de decisão a criar ações em tempo real, conforme os critérios de operação.

O consultor da Cisco afirma que existem diversos benefícios ao se investir adequadamente em tecnologias robustas: “Com o investimento em equipamentos de rede, as empresas de distribuição de energia ganham com a renovação de ativos antes depreciados, aproveitando os incentivos oferecidos pela agência reguladora nas revisões tarifárias”, destaca.

Contudo, não basta extrair dados com segurança; é preciso transformá-los em inteligência de negócio. Por meio da plataforma de dados Splunk, utilities de diversos setores, empresas de óleo e gás e até equipes de Fórmula 1, como a McLaren, têm obtido ótimos resultados. Charles Retondaro, executivo de contas para O&G, Energia e Utilities da Cisco, apresentou cases de sucesso no setor de energia. Entre eles, o da Engie — maior geradora privada de energia do país, que utiliza a plataforma em sua comercialização de energia; o da PSE (Puget Sound Energy), na estratégia de integração de IT e OT; o da Index, com a automatização da operação; e o da Sapura Energy, com o monitoramento de sistemas.

Redes móveis e IA redefinem a 
confiabilidade das utilities no setor elétrico

A segurança operacional consolidou-se como a palavra-chave para o sucesso das utilities de energia, que têm acelerado a adoção de soluções voltadas à resiliência e eficiência de suas redes. Entre as principais tendências observadas no mercado, destaca-se a utilização de redes móveis privadas integradas a tecnologias de Edge Computing e Inteligência Artificial (IA).

Durante sua palestra no UTCAL Summit 2026, Andrea Faustino, CTO para o Cone Sul da América Latina da Ericsson, enfatizou que a transição para os chamados grids inteligentes depende fundamentalmente da infraestrutura de rede. Segundo a executiva, embora os sistemas atuais já sejam digitais, a evolução para uma rede plenamente inteligente exige um investimento robusto em conectividade, sem o qual o potencial da IA torna-se limitado. “Hoje os grids são digitais, mas no futuro próximo serão grids inteligentes. No entanto, é essencial investir em conectividade. Sem ela, a IA passa a ser limitada”, afirmou Andrea Faustino.

Na apresentação intitulada “Arquiteturas de missão crítica para Utilities: como redes privadas, Edge e IA podem redefinir confiabilidade e eficiência”, Andrea detalhou a jornada tecnológica que as empresas do setor vêm percorrendo. O processo inicia-se com a digitalização via 4G, evolui para o 5G — que permite uma interação profunda entre dispositivos — e culmina na adoção da Inteligência Artificial. Nesta etapa avançada, o sistema torna-se capaz de realizar interferências e ajustes na rede de forma autônoma e em tempo real, reduzindo drasticamente a necessidade de intervenção humana direta.

Segundo a especialista, os benefícios dessa modernização são estratégicos. As empresas que avançam nessa trajetória conseguem aplicar a IA em larga escala, impulsionadas pela integração e prontidão dos dados. Além disso, o uso combinado de 5G, Edge e MCN (Mobile Core Network) viabiliza uma operação de rede instantânea. Com a instalação de sensores e medidores inteligentes, os dados passam a atuar como uma camada estratégica de negócio, permitindo uma inteligência preditiva que extrai informações em tempo real e confere um novo patamar de confiabilidade ao sistema elétrico brasileiro.

O cyber de informações precisa sair 
da conformidade isolada para a imunidade coletiva, apontou Aneel no UTCAL Summit

Um ano após a elaboração da Portaria nº 148/2025 do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, agentes reguladores — entre eles a Aneel —, fornecedores e empresas preparam-se para a criação e implementação dos Centros de Compartilhamento e Análise de Informações (ISACs). A iniciativa representa um marco regulatório na estruturação da cooperação público-privada em cibersegurança, promovendo o compartilhamento de informações estratégicas sobre ameaças, vulnerabilidades e incidentes em setores de infraestrutura crítica, como energia, telecomunicações, transporte e saúde.

Sérgio Ribeiro Leite, assessor técnico da Diretoria da Aneel, resumiu as mudanças ao afirmar que o setor precisa "sair da conformidade isolada para a imunidade coletiva", fazendo um paralelo com a pandemia de Covid-19, período em que empresas e indivíduos compartilharam dados para proteção mútua. Leite acredita que houve um amadurecimento do setor no último ano quanto à troca de experiências, mas ressalta que ainda é preciso avançar. Segundo ele, sem um repositório de informações robusto, a agência não tem como compreender a realidade nacional para construir uma regulação que atenda às demandas das empresas.

Por outro lado, o diretor do Departamento de Segurança Cibernética do GSI, Luiz Fernando Moraes da Silva, explica que o papel do órgão é propositivo, e não mandatório. Silva lamenta que ainda não exista uma lei de governança que obrigue a adoção de práticas de cibersegurança de dados, cabendo ao GSI o trabalho de propor, alertar e demonstrar à sociedade a utilidade dos ISACs, embora a adesão dependa da iniciativa das próprias empresas. Atualmente, o Comitê Nacional de Cyber, criado a partir da política pública para o setor, é composto por 25 membros, sendo 13 representantes do Governo. O diretor alerta que, embora produzam resoluções trimestrais aplicáveis aos entes públicos e privados, o problema da cibersegurança governamental é complexo e exige mais do que simples proposições, dado que existe um "inimigo do outro lado".

Juliana Reis, coordenadora de Cibersegurança da ISA Energia, é uma das profissionais que lidera o movimento de cooperação no setor elétrico por meio do MISP (Malware Information Sharing Platform), uma plataforma gratuita para compartilhamento e correlação de indicadores de ameaças cibernéticas. Reis destaca que, apesar dos avanços, ainda falta uma união entre as empresas similar à que ocorre no crime organizado. Ela complementa que o objetivo não é expor detalhes sigilosos de ataques, mas sim compartilhar informações técnicas que ajudem na proteção preventiva. No papel de prestador de serviços, Hugo Mendonça, especialista em automação de redes da Hitachi, reforça o contexto do ISAC ao ressaltar que a transparência das empresas na comunicação de incidentes impacta diretamente na agilidade do tempo de resposta a crises.

UTCAL agradece aos patrocinadores
do UTCAL Summit 2026

Com um recorde histórico de 70 patrocinadores, o UTCAL Summit 2026  consolidou-se como um marco para o setor de utilities, sucesso que só foi possível graças ao apoio e à confiança das empresas parceiras. A participação ativa de cada patrocinador não apenas viabilizou a  infraestrutura do evento, mas também enriqueceu o debate tecnológico e promoveu um ambiente de inovação sem precedentes. A UTC América Latina (UTCAL) expressa seu profundo agradecimento a todas as marcas que acreditaram no projeto.

UTC América Latina agora está no Instagram

Já está no ar o perfil da UTC América Latina, a UTCAL, no Instagram. No perfil @utcamericalatina, os associados e o público em geral podem conferir as principais novidades da entidade mais importante do setor de utilities na América Latina. 

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